Convite do Escritor – João Nuno Azambuja

João Nuno Azambuja nasceu em Braga, em 1974. O seu primeiro romance, Era Uma Vez Um Homem, ganhou o Prémio Literário UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa) em 2016. Após o sucesso de Os Provocadores de Naufrágios, surge o seu terceiro romance, Autópsia.

De onde nasceu a ideia para escreveres “Autópsia”?

J: Eu queria escrever uma história que relatasse uma viagem fabulosa, tal como a do monge irlandês São Brandão, que terá ido em busca das ilhas Afortunadas, uma espécie de Utopia, onde a vida era feliz e bem-aventurada. Partindo daqui criei a viagem de Brandão O’Neill, um rapaz inocente que foi atrás do seu sonho de ajudar um ser humano e acabou por chegar a uma ilha distópica, Autópsia. O meu propósito, tal como o nome do romance indicia, foi fazer uma análise aos comportamentos humanos quando são confrontados com obstáculos ou desafios.

Qual é a tua maior referência literária? 

J: Não tenho só uma, tenho várias. Lembrei-me imediatamente de Marguerite Yourcenar, que me fascinou desde sempre com os seus romances psicológicos tão bem escritos. Inspira-me também a pena desembaraçada de Eça de Queirós, com toda a sua ironia, assim como os escritores russos e franceses do século XIX, que são verdadeiros mestres. Dos mais atuais, José Saramago é sem dúvida uma referência.

Um livro que sugeres sempre para quem quer começar escrever.

J: Nunca me pediram uma sugestão dessas, e não sei se a poderia dar, tal é a subjetividade de uma escrita. Eu tenho o meu ritmo, o meu modo particular de escrever, que às vezes até se adianta às minhas intenções, faz parte de mim. Mas poderia sugerir, para responder à pergunta, «O vermelho e o negro», de Stendhal, que é um romance primorosamente construído.

Como tem sido receber o feedback dos teus leitores?

J: As opiniões, até agora, foram favoráveis (algumas muito favoráveis), o que, à primeira vista, é bom. Acima de tudo, gosto de sinceridade, e se me disserem com honestidade que o livro não presta, usarei essa opinião para me superar (que é o que tento fazer sempre).

Para quando o próximo livro?

J: Não depende só de mim a publicação de um livro meu, há muitas contingências envolvidas (uma delas, agora, é a pandemia, que quase arruinou o mercado livreiro), e as editoras têm o seu calendário e catálogo a respeitar. Dependendo de mim, estou pronto para publicar um outro, que tenho inteiramente pronto, cuja ação decorre no tempo de Séneca. Aproveito para dizer que o facto de o governo ter tratado recentemente o livro como um bem secundário foi um péssimo exemplo dado pela administração pública.

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